Debate

Sobre Dilma, golpe e o nosso sentido de lado

 

Por Douglas Belchior

O bombardeio permanente da grande mídia brasileira, combinada a partir da ação seletiva do Judiciário e da hipocrisia na ação de personagens políticos sem nenhuma credibilidade, tem um objetivo central: construir condições subjetivas – apoio popular – à deposição do governo Dilma e a criminalização, também de maneira seletiva, de alguns atores políticos, em especial de Lula.

 

SAO PAULO, BRAZIL, 2005. The Parais—polis favela (Paradise City shantitown) borders the affluent district of Morumbi in S‹o Paulo, Brazil (Foto: Tuca Vieira)

SAO PAULO, BRAZIL, 2005. The Parais—polis favela (Paradise City shantitown) borders the affluent district of Morumbi in S‹o Paulo, Brazil (Foto: Tuca Vieira)

 

Dias difíceis para conversar com familiares, amigos, colegas de trabalho. Em meio a agonia de perceber o povo trabalhador defendendo as idéias e interesses de políticos sabidamente corruptos e das elites racistas do Brasil, me vem sempre a memória as palavras de grande dramaturgo, poeta e encenador alemão Bertolt Brecht: “Pergunte sempre a uma ideia: a serviço de quem ela está?”

E a partir daí, escrevo as minhas:

Se grande mídia, sobretudo a Globo;
Se a indústria do entretenimento;
Se a direção das grandes universidades;
Se a maioria conservadora do parlamento, senado e câmara federal;
Se o PSDB, o DEM e outros vários partidos fisiológicos, sob comando do PMDB e com o apoio da FIESP e das forças políticas da extrema direita;
Se o judiciário aristocrata brasileiro, a começar pelo STF;
E se as forças do grande capital nacional e internacional querem Dilma deposta e Lula desmoralizado ou preso, eu não quero.
E estou certo de que a maioria bem informada do povo brasileiro também não quer.

Não podemos admitir!

Isso não quer dizer estar do lado de Lula, de Dilma, do governo, do PT ou ainda defender ou ignorar possíveis mal feitos. Essa posição corresponde tão somente a não estar do lado e não concordar com a truculência seletiva e golpista dos grupos que historicamente representam os interesses dos mais abastados do país.

Os erros, equívocos e traições que doem e devem ser cobrados, devem se dar na dimensão de um debate qualificado no campo das esquerdas e figuram numa linha do tempo que segue da Carta aos Brasileiros, em 2002, à recém tentativa de entrega do Pré Sal à interesses estrangeiros. E são contas a serem cobradas na política. Sem espetáculo e sem usurpação dos direitos.

O que se busca com impeachment de Dilma e a tentativa de desmoralização do PT de e de Lula, mais que a humilhação pública de pessoas ou de um partido é, na verdade, a destruição dos valores das esquerdas e da auto-estima da população trabalhadora.

É hora de exercitar, por mais difícil que pareça, o nosso sentido de lado.

E sei muito bem qual é o meu.

E o seu, qual é?

 

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