Cultura

Periferias discutem formação territorial e sua importancia cultural política

Quilombaque organiza encontro que faz parte da “UniDiversidade de Saberes”,construção de coletivos culturais das periferias da cidade de São Paulo. O encontro acontece quarta-feira, 05/07, às 19hem Perus – zona Noroeste.

 

Por Quilombaque

A Uni Diversidade de Saberes organiza mais um escambo às 19h no dia 05 de Julho na Comunidade Cultural Quilombaque no bairro de Perus. A iniciativa faz parte de uma rede colaborativa formada por coletividades, grupos artísticos e ativistas das periferias da cidade de São Paulo.

Periferias são o espaço urbano geograficamente identificável, abrigo das classes trabalhadoras brasileiras, da maioria da população negra, indígenas urbanos e imigrantes e cujos traços culturais são entoados pela heterogeneidade resultante do encontro (nem sempre pacífico) desta convivência multicultural atravessada pela desigualdade social.

Periferia, não por acaso, substantivo feminino no qual se inscreve a história corrente de inúmeras mulheres. Museu sem teto ou paredes, bolsões de expressões ancestrais, tradicionais e experimentações inovadoras, cuja geografia é território, marca identitária e também espaço de exclusão econômica, com excesso de polícia e ausência de políticas públicas que procurem agir na resolução das consequências de um processo histórico de brutalidades sociais, desigualdades e injusta distribuição de riquezas.As periferias da cidade de São Paulo, assim com outras periferias (ou subúrbios), tem os maiores índices de vulnerabilidades sociais e são áreas das cidade com grande complexidade geográfica. A formação destes territórios geraram diversas formas de convivência e diversos potenciais, riquezas materiais e imateriais (culturais).

Há décadas e ano após ano, as periferias são estudadas por cientistas sociais, historiadores, geógrafos e políticos.São promovidos muitos encontros, seminários e discussões sobre periferias, no entanto, estas discussões muitas vezes são organizadas em regiões centrais e tendem a usar a periferia como objeto de estudo, deixando pouco ou nenhum protagonismo para sujeitos dessa realidade, ou seja, moradores das periferias, suas pensadoras e pensadores são pouco consultados sobre sua própria realidade cotidiana e sobre suas ações coletivas em busca de mudanças.
O encontro “Latências e Potências.Territórios e Territorialidades Periféricas: Uma outra cidade Possível”, vem propor algo diferente do que comumente é pautado, propõe que estudiosos da periferia discutam e troquem com moradores os conhecimentos e relatos sobre a potência e a atuação das periferias na cultura e na política, por uma cidade menos centralizadora e mais plural, que garanta direitos plenos e efetividade na decisão sobre os rumos da cidade.

Convidadxs:

SILVINHA LOPES, moradora na Zona Leste. Formada em Geografia, pesquisadora e professora. Graduada, Mestre e Doutora em Geografia Humana pela USP onde defendeu tese baseada em um percurso etnográfico sobre o nascimento e consolidação do Movimento Cultural das Periferias, elaboração e implantação da Lei de Fomento as Periferias intitulada: “Território cultura e política: Movimento Cultural das Periferias, resistência e cidade desejada” USP – 2017.

TIARAJU PABLO D’ANDREA, morador na Zona Leste, musico, ativista cultural. Graduado em Ciências Sociais e Mestre em Sociologia Urbana pela USP. Doutor em Sociologia da Cultura pela mesma USP com a tese “A Formação dos Sujeitos Periféricos – Cultura e Politica na periferia de São Paulo.” Atualmente é pesquisador convidado da École dês HautesÉtudes em SciencesSociales em Paris.

Tema: Latências e Potencias. Territórios e Territorialidades Periféricas: Uma outra cidade Possível
Organização: Comunidade Cultural Quilombaque
Local: Travessa Cambaratiba, nº 05 – Ao lado da Estação Ferroviária de Perus – Linha 7 RUBÍ

Uni-diversidade de Saberes, uma proposta plural periférica

UniDiversidade Saberes é um espaço de troca, vivências e práticas em torno da produção de conhecimento com foco em Territórios, Participação Social / Direitos Humanos, Economia e Comunicação Popular.
Cada encontro da UniDiversidade é organizada em roda, de forma que saberes acadêmicos tenham o mesmo peso que griots, militantes de movimentos sociais, ativistas, escritores,pesquisadorxs independentes e artistas. A ideia é que cada encontro seja um escambo, uma troca entre saberes de diferentes vertentes sobre um mesmo tema ou assunto.
Os escambos acontecerão todas as quartas-feiras início às 19h, em 4 regiões periféricas da cidade, zona leste, noroeste, sul e norte.

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