Escrita da história

Nas favelas a ditadura militar nunca terminou

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Por Douglas Belchior

1º de Abril 2014 é aniversário de 50 anos do golpe militar-civil-empresarial-religioso-midiático que “assombrou” o Brasil por longos 21 anos.

Coincidentemente, 21 também é o número de dias que nos separa do aniversário de 514 anos da invasão europeia e do início da ditadura colonial-imperial-proto-democrática-e-republicana.

Nesse dia tão simbólico, deixo aqui mensagens dos meus poetas preferidos:

“Você não pode enfiar uma faca de nove polegadas nas costas de uma pessoa, puxar seis polegadas para fora, e chamar isso de progresso!” – Malcon X

“Pra quem vive na guerra a paz nunca existiu” Racionais Mc’s

E tem sido assim nossos dias de democracia.

#muitatretapracaetanogilchicoviniciusdemorais

 

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NOTA DA FEDERAÇÃO DE FAVELAS (FAFERJ) SOBRE A SITUAÇÃO DAS FAVELAS NO RIO DE JANEIRO

Nas favelas, a Ditadura Militar nunca terminou.
“Dizem que nós somos violentos
Mas desse jeito eu não aguento
Dizem que lá falta educação
Mais nós não somos burros não
Dizem que não temos competência
Mais isso sim que é violência”

Cidinho e Doca

Será que existe diferença entre um negro e um branco arrastados pelo asfalto quente do Rio de Janeiro? A FAFERJ vem denunciando o assassinato e tortura em massa dentro das favelas cariocas. Infelizmente, a realidade é dura da forma como estamos vendo o caso da companheira Cacau da favela da Congonha, em Madureira: brutalmente assassinada e arrastada como se fosse um “saco”. Um saco com marido e quatro filhos.

A realidade nas favelas do Rio de Janeiro é a mesma desde, pelo menos, 1964: a ditadura que uma minoria branca pede de volta e que outros acham que ela se foi. Se nem a escravidão se foi por completo, o que dizer da ditadura militar.

Para nós, da FAFERJ, a ditadura nunca se foi para as comunidades, conjuntos habitacionais e periferias. Poderíamos citar aqui muitos nomes, afinal essa polícia mata cinco pessoas por dia, com apoio e as mãos lavadas dos mais ricos.

Cacau é uma vítima de tortura e assassinato, como Amarildo, Zumbi dos Palmares, Vladmir Herzog, e tantos outros mortos pela insanidade desta polícia que ainda pensa e age na forma de um grande agrupamento de feitores. O PM do Rio de Janeiro é o capitão-do-mato do século XIX.

A FAFERJ pergunta aos companheiros favelados, a mídia de TV, rádio e Jornal: E agora? Vão pedir redução da maioridade penal para os policiais, vamos amarrá-los nos postes, “Pena de Morte”? Claro que não! Nem nós queremos isso, mas estas perguntas tiram as máscaras de muitos racistas e elitistas da sociedade carioca. Não há como esconder aquele famoso ditado popular: “DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS”.

E se fosse um corpo branco arrastado pelas ruas, como foi o de João Hélio? Neste caso, a Marcha da Família pela pena de morte estaria em curso, mas como era apenas uma negra, auxiliar de serviços gerais, favelada, podemos encontrar qualquer motivo para dizer que foi culpa dela. O café em suas mãos era muito quente, ela fez movimentos bruscos, estava no ao lado de bandidos e todas as demais balelas utilizadas pra justificar a barbárie da PMERJ.

A FAFERJ é solidária a todas das famílias das favelas do Rio de Janeiro, de favelados para favelados. Como sempre, pregamos a união das Favelas na luta por direitos e justiça social para nossa gente. Denunciamos a falência das UPP´s e repudiamos a intervenção federal e a criminalização das Favelas.

As Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s) são um projeto aparentemente novo mas que já nasceu velho, pois não passa do velho Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO’s) que hoje é improvisado em contêineres e demarcam o território das favelas. Como agravantes, vemos polícias recém-formados em cursos de apenas seis meses, ou seja, com uma formação menor e mais desorganizada que a de um Policial Militar comum.

Estamos assistindo a falência completa de um projeto que não alcançou nem 10% das favelas do Rio de Janeiro, já que são apenas 38 comunidades “pacificadas” em um cenário de mais de 1800 favelas.

Além das graves violações dos direitos humanos por parte da polícia, favelas como a Rocinha mesmo “pacificadas” são disputadas por diversas facções com armamento pesadíssimo. O Complexo do Alemão, por exemplo, terá de ser repacificado, segundo o Governador. Como funciona isso? Levar a paz onde já teria paz? É mais uma pergunta no ar a ser respondida por Sérgio Cabral.

A FAFERJ questiona a quem serve as UPP´s, já que não resolvem os principais problemas das comunidades ligados aos serviços básicos como, por exemplo, saneamento, coleta de lixo e serviços de água e luz. Todos estes serviços continuam precários, além disso a UPP não resolve nem os problemas dos policiais que continuam com péssimos treinamentos e salários.

Os casos de acusação de líderes comunitários supostamente “associados” ao tráfico é também uma grave denúncia que esta Federação traz. Ser líder comunitário não é crime. A FAFERJ é contra as diversas matérias publicadas pelo Jornal “O Globo”, trazendo acusações sem provas contra presidentes de associações de moradores e líderes das nossas Favelas, mais uma vez. Infelizmente, tem se tornado prática recorrente acusar moradores e líderes de favelas de serem bandidos ou terem ligações com estes.

Reafirmamos que as favelas do Rio de Janeiro são compostas majoritariamente por trabalhadores honestos e cumpridores de seus deveres e que tais acusações sem provas ou direitos de resposta são as marcas do modo racista e elitista que são tratados os moradores de favela pela mídia. SER FAVELADO NÃO É SER BANDIDO.

• Contra a intervenção militar nas favelas do Rio de Janeiro;

• Que a Presidente Dilma, Autoridades e os Ministros ouçam as lideranças e as Associações de Favela do Rio de Janeiro;
• Pela desmilitarização da Polícia;
Saudações Comunitárias,

Federação das Associações de Favela do Estado do Rio de Janeiro (FAFERJ)

“Eu carrego, com orgulho, a minha favela
Por isso não aceito que ninguém fale mal dela.”
Mc Crazy

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