Direitos Humanos Violência Policial

Morte de manifestante pela polícia causa revolta no interior de Pernanbuco

Mais um atentado à liberdade de expressão, à liberdade de manifestação e à (cambaleante, ou mesmo inexistente) democracia brasileira: o jovem Edvaldo Alves, de 19 anos, morreu nesta terça-feira (11), após ser alvejado pela Polícia Militar durante protesto realizado no dia 17 de março em Itambé, Pernambuco.

O jovem participava, junto com outros moradores, de um ato público contra a violência na cidade, quando foi baleado por um policial militar. Já no chão, e sangrando, foi ainda agredido no rosto com cassetete e arrastado pelos policiais até a viatura da Polícia, onde foi lançado em cima da carroceria.

 

Não apenas em Pernambuco, mas em todo o Brasil, a força policial tem sido usada de maneira indiscriminada contra trabalhadores, estudantes, contra a população organizada. Não são poucos os casos de manifestantes abordados de forma truculenta e agredidos pela Polícia Militar durante manifestações.

Vivemos, cotidianamente, cenas dignas de um Estado de exceção. Edvaldo foi velado na última quarta-feira (12). Uma multidão esteve presente no velório e acompanhou o cortejo. Morreu porque estava lutando. Uma luta que, como tantas, custou uma vida.

Velório de jovem morto pela Polícia aconteceu nesta quarta-feira (12) / Foto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco

 

Lutar não é crime! Crime é o que o Estado faz ao atentar contra os direitos humanos de reunião e de livre manifestação do pensamento. Que os responsáveis pelo assassinato de Edvaldo Alves sejam responsabilizados e punidos.

Cortejo desta quarta-feira (12) reuniu centenas de pessoas em Itambé-PE / Foto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco

 

Para o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), a conduta do governo do Estado de Pernambuco não só atinge a Constituição Federal, como também atenta contra a própria democracia. “o Estado Brasileiro é responsável por assegurar a proteção da vida das pessoas e garantir os direitos humanos de livre manifestação do pensamento e de reunião, essenciais ao exercício da democracia”, afirma o CNDH em nota pública.

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) também emitiu posicionamento em repúdio ao assassinato do manifestante. “É preciso parar o massacre! O Brasil vive um clima de repressão intensa ao direito humano de expressar-se livremente, inclusive cobrando a própria vida de quem ousa se manifestar.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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