Violência Policial

Morte de Luana Reis é investigada por PM colega de seus agressores

Segundo o secretário da Segurança Pública de Geraldo Alckmim (PSDB), Alexandre de Moraes, colega de batalhão dos agressores realiza investigação “técnica e imparcial”

Um mês após três policiais militares espancarem Luana Barbosa dos Reis Santos, 34 anos, na periferia de Ribeirão Preto (SP), a Corregedoria da Polícia Militar ainda não entrou oficialmente na investigação da violência contra ela, que era mãe de um menino de 14 anos, negra, pobre e lésbica. Cinco dias após o espancamento promovido pelos militares, Luana morreu em 13/04, em decorrência de uma isquemia cerebral causada por traumatismo crânio encefálico.

Luana foi espancada pelos PMs Douglas Luiz de Paula, Fábio Donizeti Pultz e André Donizeti Camilo na noite de 8/04, no Jardim Paiva II, periferia de Ribeirão Preto, e, até agora, o responsável por investigar as agressões é um integrante do mesmo batalhão da Polícia Militar onde atua o trio de militares, o 51º Batalhão do Interior.

Atualmente, os três PMs cumprem funções burocráticas dentro do batalhão e estão afastados dos serviços de patrulhamento nas ruas de Ribeirão Preto. A Ouvidoria da Polícia de SP pediu ao Procurador Geral de Justiça de SP, Márcio Fernandi Elias Rosa, que designe um Promotor de Justiça para acompanhar o caso.

Desde o dia 19/04, a reportagem tenta entrevistar os PMs De Paula, Pultz e Camilo, bem como o comandante-geral da PM, coronel Ricardo Gambaroni, sobre o episódio que terminou com a morte de Luana, mas o Setor de Comunicação Social da Polícia Militar prefere o silêncio.

Procurado novamente nesta quinta-feira (05/05) para se manifestar sobre a falta de uma investigação oficial pela Corregedoria da PM, o coronel Gambaroni permaneceu em silêncio.

Apenas o secretário da Segurança Pública da gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), Alexandre de Moraes, se manifestou, por meio da assessoria de imprensa da pasta estadual.

De acordo com Moraes, “a Corregedoria da Polícia Militar acompanha o andamento do inquérito policial militar instaurado em Ribeirão Preto”. “Esse inquérito é realizado de forma técnica e imparcial por um oficial cadastrado pela Corregedoria, com o conhecimento e idoneidade necessários para a realização do trabalho”, afirmou Moraes, em nota oficial.

Em sua manifestação, Moraes também informou que “a Polícia Civil em Ribeirão Preto investiga o homicídio [contra Luana] e que o laudo necroscópico concluiu que a morte foi causada por traumatismo craniano por espancamento”.

Até agora, apenas familiares de Luana foram ouvidos na investigação sobre sua morte. Ainda não há previsão de quando os PMs De Paula, Pultz e Camilo serão interrogados.

Colaborou Alê Alves, especial para a Ponte Jornalismo

 

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