Mulheres

A louca e a puta

** POR LUARA COLPA*

Ontem na festinha um cara ficou me olhando muito, desagradável.
Fui dançar mais pra frente, ele seguiu.. comentou com os amigos e ficou fazendo aquela cara ridícula de sedução que os héteros fazem.
Desprezei.

Não passou 5 minutos apareceu a sua companheira. Como prevíamos.
Ela o abraçou por trás e olhou pra mim. Como prevíamos.
Fui pra mais longe ainda.
Quando saí do banheiro ele estava lá com um canudo idiota na boca em câmera lenta me olhando.
Olhei pra cima e a moça viu a cena.
Peguei minhas coisas e fui embora.

O resto da história: a moça vai ficar chateada com razão, vai brigar.
O camarada vai dizer que não fez nada e que ela está louca. Vai argumentar que ‘não aguenta ciumera’ e que se for isso ele ‘sai fora’.
Vai falar com soberba e desprezo com uma narrativa que a ponha em dúvida.

Ela vai duvidar de si e me ver como inimiga.
Talvez chore. Talvez só fique um pouco quieta.
Vão se abraçar e transar/dormir.

Se eu aparecer novamente numa outra festa, a moça vai ficar insegura.. e o ciclo de repete.

Pra sociedade eu sou a puta
Ela é a louca, ciumenta, fraca.
Ele é só um homem.

E assim segue o ciclo. Eu a entendo. Também sou a louca, ciumenta, fraca… ou puta.
Se eu tivesse falado alto com ele, se eu tivesse falado com ela. Se ela tivesse apelado com ele, ou até terminado o raio do namoro..
Ainda assim seríamos: a louca e a puta.
O homem é sempre o homem.

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Luara Colpa tem 29 anos, é brasileira e colunista no BHAZ. É mulher em um país patriarcal e oligárquico. Feminista e militante por conseguinte. Estuda Direito do Trabalhador e o que sente, escreve.


 

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