Indígena

Guarani Kaiowá são novamente atacados

Crianças da comunidade Pyelito Kue | Crédito: Cimi

Crianças da comunidade Pyelito Kue | Crédito: Cimi

 

Indígenas, que retomaram parte de seu território tradicional na quarta (16), foram amarrados e levados à força para as margens da rodovia MS-256. A comunidade Guarani Kaiowá de Pyelito Kue é a terceira a sofrer ataques desde o final de agosto

Informações do Instituto Socioambiental – ISA

 

Na madrugada dessa sexta-feira (18/9), a comunidade Guarani Kaiowá de Pyelito Kue foi removida à força de parte seu território tradicional, sobre o qual incide a Fazenda Maringá, em Iguatemi (MS), região de fronteira com o Paraguai. De acordo com informações da Funai em Ponta Porã (MS) há pelo menos oito pessoas feridas, com hematomas e pequenos cortes, entre idosos, crianças e mulheres, uma delas gestante.

Ainda segundo o órgão indigenista, pistoleiros teriam atacado o acampamento no interior da Fazenda Maringá, por volta das 3h, rendendo 26 indígenas – entre eles cinco crianças. Eles teriam sido amarrados, colocados em caminhonetes e levados às margens da rodovia MS-295, próximo ao Rio Jogui (Hovy). Os demais fugiram e retornaram à faixa de 100 hectares, em que 240 pessoas esperam a finalização do processo de demarcação da TI Iguatemipeguá I (Pyelito Kue/Mbarakay).

Parte dos indígenas removidos à força da área retomada da TI Iguatemipeguá I, sobre a qual incide a Fazenda Maringá, em Iguatemi (MS)

Uma equipe da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) deslocou-se na manhã desta sexta para prestar assistência aos indígenas, assim como servidores da Funai e da Polícia Civil.

Indígenas relatam o ataque em carta divulgada hoje, os indígenas contam que na quarta-feira (16/9) já havia acontecido um primeiro ataque ao grupo de cerca de 90 pessoas (incluindo crianças, idosos e mulheres) que, durante a madrugada, partiu a pé da aldeia para retomar a porção de seu território tradicional dentro dos limites da Fazenda Maringá. O grupo chegou à sede da fazenda por volta das 12h30, onde encontraram funcionários da fazenda e fizeram suas rezas e rituais.

Às 16h30 da mesma quarta-feira, cerca de 15 pistoleiros atacaram o acampamento, fazendo com que os indígenas se refugiassem na mata, próxima ao Rio Mandiy. Nesse ataque, conforme informações da Funai, uma mulher desapareceu e foi encontrada com ferimentos na manhã de ontem (17/9). Ela foi levada ao município de Iguatemi para receber atendimento médico e realizar exame de corpo de delito. Servidores do órgão estiveram na área retomada no final da tarde de quinta e contam não ter encontrado os indígenas.

Por volta da 1h da madrugada de ontem (17/9), registra a carta da comunidade, os Guarani Kaiowá voltariam a ser atacados a tiros na mata onde se escondiam, mas permaneceram no local, retornando no dia seguinte à área reivindicada. Ali sofreriam o último ataque, da madrugada dessa sexta-feira (18/9). Na carta, a comunidade sustenta: “Somente queremos o nosso tekoha de volta”.

Terra teve relatório de identificação publicado.

A área retomada é um dos territórios tradicionais abarcados pelos limites da TI Iguatemipeguá I (Pyelito Kue/Mbarakay), que teve seu relatório de identificação publicado pela Funai em janeiro de 2013, com uma extensão de 41.571 hectares (saiba mais).

A identificação da terra aconteceu dois meses após a divulgação de uma carta da comunidade, em que os Guarani Kaiowá afirmavam que não deixariam o território às margens do Rio Hovy, resistindo até a morte à decisão da Justiça Federal que determinava sua expulsão. Relembre o caso.

Essa é a quinta retomada na região de fronteira com o Paraguai em 2015; antes dela, os Guarani Kaiowá retomaram os territórios de Ypo’i, Guaiviry, Kurusu Ambá e Ñande Ru Marangatu.