Destaque Mulheres Negras

Existência na resistência: sempre foi sobre nós, mulheres negras

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Por Marcela Lisboa – #AgoraÉQueSãoElas

 

A violência com a qual a população afrobrasileira é tratada se confunde a todo tempo com o processo de formação do Brasil e da tal brasilidade apresentada por Gilberto Freyre. A miscigenação, conforme apresentada por Freyre é raiz desta expressão, é uma falácia. Uma vez que os corpos açoitados e violentados sempre foram tidos como a carne mais barata do mercado, como imortalizou Elza Soares.

Nós, mulheres negras, assassinadas, invisibilizadas e prostituídas somos, contraditoriamente, a massa que movimenta este país. Maioria nos subempregos, nas cadeias e cemitérios. Além de resistirmos ao massacre provocado pelo racismo e pelo classismo, ainda somos as maiores vítimas do machismo perpetuado pela sociedade. Dados do Mapa da Violência de 2015 afirmam que somos 59,4% das mulheres vítimas de violência doméstica,  68,8% das que morrem vítimas de agressão e temos duas vezes mais chances de sermos assassinadas do que mulheres brancas.

 

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Demarcar e instituir o peso da questão racial é nossa tarefa. Por isso #AgoraÉqueSãoElas talvez não nos caiba porque, na verdade, sempre foi sobre nós. Nossas demandas enquanto mulheres negras nos diferem das demais. Como disse Audre Lorde, enquanto as brancas temem que seus filhos se unam ao patriarcado, nós, que eles sejam mortos. Então, mais uma vez, cabe a nós resistir para existir.

E é exatamente este o medo dos que detém o poder, que Dandaras, Terezas e Aqualtunes vivam em nós. Por isso, nos atacam de todos os modos.

Desde a falta de representatividade nos meios de comunicação à nossa ausência nos espaços estruturantes de poder. Dentre eles, a Câmara dos Deputados situada em Brasília. Este, talvez o mais representativo desses espaços, hoje é presidido pelo já considerado inimigo da juventude, Eduardo Cunha.

 

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Capaz de aglutinar tudo o que há de mais retrógrado na política e na luta por mais direitos, Cunha, aliado às bancadas da bala, do boi e da bíblia, tem cometido uma série de ataques como a redução da maioridade penal, o PL de terceirização, o Estatuto da Família, o PL 5069 e a Agenda Brasil que afetam, mais uma vez e majoritariamente, o povo negro.

Neste sentido, apenas a luta nos cabe. A fim de que, um dia o morro desça quando não for carnaval e como disse Sueli Carneiro, possamos alcançar a igualdade de direitos e convertermo-nos em seres humanos plenos e cheios de possibilidades e oportunidades para além de nossa condição de raça e gênero. Este é o sentido final dessa luta. Com elas pelo #ForaCunha.

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Este Blog não é um espaço tradicional de “grande mídia”, tampouco este editor é alguém “com voz de alto alcance público”, ainda assim fiz questão de aderir à belíssima iniciativa da campanha #AgoraÉQueSãoElas, afinal, se a vida está ficando cada vez mais difícil para as mulheres devido os riscos de retrocessos e retirada de direitos adquiridos, é sempre bom lembrar que o sobrepeso recairá nas costas das mulheres negras, pra variar. Pois essa semana, e sempre, esse espaço é delas. Das pretas.

Douglas Belchior


 

 

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