Escrita da história

Dilma assume plataforma neoliberal. E agora?

CUT

Foto CUT

Por Douglas Belchior

Lideranças da CUT, aliadas históricas dos governos de Lula e Dilma, têm sido enfáticas na crítica às ações econômicas do governo. Muitas afirmações, noticiadas em diversos meios de comunicação, são muito fortes: “A culpa da crise está sendo imputada aos trabalhadores”; “Falta diálogo do Governo junto a sociedade”; “O governo sinaliza para setores que não o apóia”; “Dilma prometeu uma coisa e está implementando outra”; “O governo desvia a política econômica para um rumo neoliberal, de direita, que não se sensibiliza com injustiças sociais”. Ao mesmo tempo em que são incisivas na crítica ao pacote e à política econômica do governo, são duras também da defesa do mandato da presidenta e no enfrentamento às iniciativas pró- impeachment, que chamam de “Golpe”.

Abordagem parecida com a da recém formada Frente Brasil Popular, que para além das críticas, apresentam uma plataforma progressista como alternativa à crise política e econômica que vivemos.

Assim como há tempos bradam as organizações que fazem oposição pela esquerda ao governo, parece que os setores mais alinhados chegaram também a conclusão de que é necessário construir saídas que possam superar a experiência petista no poder, sem no entanto, abrir mão das poucas conquistas sociais.

Mas há, me parece, duas perguntas  que precisam ser respondidas: Será possível a construção de alternativas tendo como protagonistas das ações, os mesmos atores que dirigiram o processo político até aqui? Importantes atores políticos e sociais que até aqui apoiaram o governo, hoje tem suas pautas ignoradas e atacadas por ele. Estes terão legitimidade, representatividade, credibilidade moral para propor um novo caminho?

 

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Foto Midia Ninja

A saída é taxar as grandes fortunas e a especulação

Do Site da Smetal

Em nota à imprensa, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região, Ademilson Terto da Silva, criticou as medidas de ajuste fiscal anunciadas esta semana pelo governo federal. Em nome do SMetal, Terto disse que a instituição jamais concordará com medidas que joguem o peso de qualquer crise econômica nas costas dos trabalhadores.

O SMetal defende a taxação de grandes fortunas e do capital especulativo como forma de equilibrar as contas públicas, sem a necessidade de ressuscitar velhos e injustos tributos, como a CPMF, criada pelo governo neoliberal do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Uma reportagem da Carta Capital publicada dia 15/09 confirma que a tributação do capital não produtivo já bastaria para o governo alcançar o superávit necessário, sem mexer no bolso dos trabalhadores nem reduzir os recursos de programas sociais.

De acordo com a reportagem, um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) comprova que se o governo cobrasse 15% de imposto de renda sobre os lucros e dividendos recebidos por acionistas de empresas, as contas públicas já fechariam. Com essa taxação de capital especulativo, o governo iria arrecadas R$ 43 bilhões no ano, suficientes para cobrir o rombo orçamentário previsto para 2016.

Atualmente, devido à legislação aprovada em 1995, durante o governo de Fernando Henrique, os acionistas de empresas estão isentos de imposto de renda sobre os lucros e dividendos de suas ações. No mundo, apenas o Brasil e a Estônia são tão generosos com os investidores de bolsa de valores.

Não existe, na fala de Terto, nenhum indício de rompimento com o projeto de governo que começou com Lula e continuou no primeiro mandato de Dilma. Até porque, foi durante esse período que foram gerados mais de 10 milhões de postos de trabalho. A categoria metalúrgica na região de Sorocaba, por exemplo, cresceu de 19 mil trabalhadores em 2002 para 45 mil em 2014. Atualmente, mesmo com as demissões, a categoria é formada por mais de 42 mil metalúrgicos, mais do que o dobro da época de Fernando Henrique.

As críticas do SMetal visam ajudar a corrigir rumos da economia, e não retroceder na área social e na democracia. É necessário preservar programas como o Minha Casa Minha Vida, o Prouni, o Bolsa Família (transferência de renda condicionada à frequencia escolar), os incentivos à agricultura familiar, entre outros.

O problema atual do governo está justamente em se desviar para um rumo neoliberal, de direita, que não se sensibiliza com injustiças sociais.

A CUT e o SMetal pregam o diálogo entre trabalhadores, governo e empresários do setor produtivo para corrigir essa rota. Sempre que alguma medida prejudicar o trabalhador, a CUT será contra e vai lutar para revertê-la. Mas não é por isso que vai compactuar com golpismos e atentados à democracia.

 

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