Cotas Raciais Universidade

Cotas raciais em cursos de pós-graduação da Unicamp

Educação pública, gratuita e para todas(os): nossa luta, sua luta!

 

No último dia 5 de setembro foi publicado pela Faculdade de Educação da Unicamp o primeiro Edital com cotas para negras(os), indígenas e pessoas com deficiência para a Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado). Este Edital merece destaque por dois motivos: 1) Foi o primeiro com ações afirmativas nos mais de 40 anos da Faculdade; e 2) A proposta de reserva de vagas foi gestada a partir da reivindicação e da atuação política e acadêmica de estudantes da graduação e pós-graduação, reunidos em coletivos que debatem essa temática.

A luta dos Coletivos por reserva de vagas na pós-graduação da Unicamp teve início no fim de em 2014, quando foi aprovada a reserva de vagas no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) para negras(os) e indígenas. Em 2016, ingressaram os primeiros estudantes cotistas nos cursos de Sociologia, Antropologia, Ciência Política, História e Relações Internacionais. A partir desta experiência, outros Institutos e Faculdades da Unicamp começaram a discutir ações afirmativas.

O processo na Faculdade de Educação ocorreu a partir de um primeiro encontro entre os estudantes da Faculdade de Educação (FE) e da Frente Pró-Cotas da Unicamp em 2015. Deste encontro formou-se uma agenda de trabalho com objetivo de formular uma proposta de cotas. O grupo solicitou às instancias deliberativas da Faculdade a criação de um Grupo de Trabalho (GT) com a presença de estudantes, professores(as) e representantes de movimentos sociais da Unicamp para discutir o projeto considerando as lutas, conquistas e experiências do IFCH.

Além de representar uma importante iniciativa para romper com o histórico de exclusão presente nas universidades estaduais paulistas, a conquista de cotas na pós-graduação parece desenhar um novo paradigma com o qual a Unicamp se defrontará: a presença de outros grupos sociais, pouco representados ou mesmo inexistentes até agora.

Apesar dos avanços, acreditamos que estas inquietações estão apenas começando, uma vez que uma Universidade mais democrática também pressupõe processos seletivos transparentes e com a presença de todos os grupos que compõem a sociedade brasileira. Se considerarmos apenas o critério raça/cor, no estado de São Paulo quase 90% dos mestres e doutores são auto-declarados brancos, segundo os dados do IBGE/2010. Enfim, ajustes inerentes a entrada de “novos sujeitos” na Universidade são necessários e de forma sistemática e não mais excepcional.

Existem outros desafios que se apresentam às iniciativas de democratização deste espaço de conhecimento formal e ainda muito elitizado. O caminho a ser percorrido pela FE, IFCH, entre outas unidades da Unicamp será indubitavelmente complexo, porém mudanças urgentes são necessárias frente a esses dados e tantos outros que demonstram as desigualdades presentes e latentes em nossa sociedade.

Organizar-se é preciso. Lutar é preciso. Educação é um Direito e mesmo após uma grande vitória, respiramos e resistimos, porque prontos para as batalhas que nos esperam em prol de uma sociedade verdadeiramente democrática e que buscamos construir.

Seguimos em luta!

 

FRENTE PRÓ-COTAS DA UNICAMP

NÚCLEO DE CONSCIÊNCIA NEGRA DA UNICAMP

 

Editais disponíveis em:

Faculdade de Educação – https://www.fe.unicamp.br/pos-graduacao/processo-seletivo

Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – http://www.ifch.unicamp.br/ifch/pos

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