racismo

Apropriação cultural sob uma análise marxista

apropriação

Crédito: Marina Rabelo

Por , originalmente no seu blog Um modo de vida contra o medo da vida.

(Esta contribuição ao debate foi feita como crítica a outro texto, intitulado “Apropriação cultural e marxismo”).

Escrevo esse texto para pensar sobre a questão da apropriação cultural, que tem se debatido muito no movimento negro com o qual tenho tido contato. É uma resposta ao texto do companheiro da Juventude Marxista sobre o mesmo tema. Apesar de concordar que se deve criticar, de um ponto de vista marxista, alguns conceitos de certas correntes do movimento que desconsideram a totalidade social da luta de classes, também é importante combater um marxismo vulgar e dogmático que não ajuda a esclarecer os problemas da relação entre cultura, raça e classe no Brasil hoje.

Pretendo, portanto, fazer uma análise da questão da apropriação cultural, explicitando como o método marxista, usado corretamente, é a ferramenta para compreender a questão. Não vou entrar em todos os temas tratados no texto em questão. Pretendo apenas apontar os erros em seus pressupostos mais básicos naquilo que diz respeito ao tema da apropriação cultural, sem os quais a maior parte das ideias centrais do texto cairia.

Soma ou relações dialéticas

Em primeiro lugar, no texto está implícita uma concepção de que diferentes fatores sociais (como preconceitos em geral, racismo, opressão de classe, etc) têm origens em instâncias diferentes da vida social, independentes entre si, e, em alguns momentos, podem ou não se somar. Essa concepção aparece, por exemplo, quando ele fala em “preconceito contra os dreads somado ao RACISMO”. Ora, o marxismo é a ciência do concreto, ou seja, da totalidade, o que significa que não pensamos a realidade fragmentada dessa forma, como tanto o positivismo quanto a pós-modernidade pensam. Não podemos pensar a questão de classe, o racismo e o “preconceito contra os dreads” como três coisas separadas que podem ou não se somar. Precisamos fazer uma análise de como, em sua essência, essas três coisas se relacionam.

Para isso, em primeiro lugar, devemos rejeitar a máxima pós-moderna (que também aparece no referido texto) de que a sociedade tem “preconceitos contra o diferente”. Não é a diferença que cria os preconceitos. Se fosse assim, como se explicaria que de algumas “diferenças” surgem preconceitos e de outras não? Como se explicaria que o preconceito que surge de algumas “diferenças” é diferente do preconceito surgido de outras “diferenças”? Não podemos dizer, por exemplo, que a diferença entre brancos e negros crie o mesmo efeito que a diferença entre homens e mulheres ou entre destros e canhotos. O efeito que cada uma dessas “diferenças” vai acarretar não tem a ver com o fato de serem “diferenças” em si, mas tem relação com como cada uma delas se enquadra no todo da realidade social, ou seja, qual o papel de cada uma delas na luta de classes. Só a partir daí podemos pensar como surgem os preconceitos.

O “preconceito contra os dreads”, portanto, precisa ser pensado em sua origem ontológica histórico-social. Acontece que o capitalismo, de diferentes formas em diferentes momentos, utilizou uma suposta diferença entre raças para impor e fortalecer sua dominação no mundo todo[1]. No Brasil, obviamente essa estratégia tomou uma forma específica. O racismo aqui tem como um de seus aspectos fortes a desqualificação indireta do negro, que não fala explicitamente do indivíduo negro, mas ataca todos aqueles elementos que compõem sua vida e sua cultura. Quando dizem que o funk é “música ruim” ou que o RAP é “música de bandido”, quando dizem que sacrifícios de animais em rituais religiosos é uma crueldade, quando dizem que cabelo crespo e nariz largo são feios, quando colocam que as favelas são essencialmente violentas – em todas essas suposições, criadas e difundidas por uma classe dominante para garantir seu poder, se esconde o racismo. O racismo está, de fato, na essência de todas elas. Da mesma forma, o “preconceito contra os dreads” não pode se somar ao racismo porque ele é parte do racismo! A identificação do turbante com algo demoníaco não pode se somar ao racismo porque é parte do racismo!

De fato, uma pessoa branca pode sofrer preconceito em uma entrevista de emprego se usar dreads. Esse preconceito não tem uma origem separada do racismo: ele só existe porque o dread é um símbolo negro, e é por isso identificado com coisas negativas, como sujeira, irresponsabilidade, etc. Podemos aqui repetir o que já dissemos anteriormente para completar o raciocínio: a inferiorização dos símbolos negros se insere na luta de classes como uma estratégia da classe dominante para garantir sua dominação.

O absurdo em falar da diferença entre um negro ou um branco usando tais símbolos só pode aparecer quando se considera que os “preconceitos” têm origens independentes, não relacionadas com a totalidade da luta de classes. Enquanto que, para uma mulher branca que usa turbante, aparece certo preconceito derivado de ela usar um símbolo negro, para a mulher negra o turbante nada mais é que uma confirmação daquilo que o racismo coloca em sua essência: macumbeira, demoníaca. Da mesma forma, enquanto que em um homem branco os dreads podem remeter a ideias de sujeira e de preguiça, em um homem negro eles estariam apenas confirmando aquilo que o racismo vê como sua essência. Essa é a diferença. E, claramente, na prática da vida social, isso é uma diferença enorme! Um jovem visto como essencialmente “limpinho” em uma fase rebelde é bonitinho, muito diferente de um visto como essencialmente sujo.

E mesmo no RAP, é clara a diferença que vemos entre o uso dessa forma de resistência por um branco ou por um negro. É só pensarmos no contraste entre Gabriel O Pensador e Racionais. O primeiro é tido, por muitos setores sociais, como um crítico; os segundos continuam fazendo, no senso comum, “música de bandido”.

A apropriação cultural

Sobre a questão da apropriação, também é um problema como o texto do companheiro da Juventude Marxista separa a “apropriação de TODAS AS CULTURAS DO MUNDO pelo CAPITALISMO” da apropriação de uma cultura particular em um momento particular. Como já dissemos, o marxismo é uma ciência do concreto. Não se pode falar apenas em um conceito geral de apropriação sem compreender como a apropriação se dá em seu contexto específico e qual a relação dessa apropriação com a totalidade histórica específica em que está inserida. É claro que o capitalismo se apropria de todas as culturas do mundo. Mas essa conclusão não ajuda em nada, se não compreendermos as relações concretas em que se inserem as apropriações.

Para abordar esse problema, podemos partir de uma constatação bastante errada do texto em questão, de que a indústria da moda está (ou estava) tentando se apropriar dos dreads e do turbante e falhando. Aqui há dois erros fundamentais: um deles é pensar que a classe dominante, por sua própria vontade, tenta se apropriar de símbolos de luta da classe dominada; outro é uma incompreensão da relação entre ideologia e circulação de mercadorias. Analisemos os dois pontos.

A classe dominante não se esforçaria para se apropriar dos símbolos dos dominados se não fosse forçada a isso pela luta de classes. Para esclarecer a questão da apropriação cultural, vou aqui abrir um parênteses e pensar dois exemplos de apropriação da burguesia, que não são no âmbito cultural, mas que ajudarão a entender alguns mecanismos sociais. Em primeiro lugar, podemos pensar na conquista de um determinado setor de mulheres[2] que não podiam trabalhar e ter autonomia financeira e, a partir de sua organização e luta, passaram a ter esse direito. A classe dominante, a princípio, não ficou satisfeita com isso, e tentou combater esse movimento[3]. Mas, quando essas mulheres tiveram sua vitória e conquistaram o direito de trabalhar fora, tal classe se apropriou de alguma forma de sua conquista e passou a usá-la para superexplorar esse setor social, submetendo-o a jornadas duplas ou triplas, a salários menores, etc. Outro exemplo que pode ser pensado é o processo de luta contra a escravidão. Por muito tempo os negros lutaram por sua liberdade e foram duramente reprimidos pela burguesia da época. Conforme sua luta dava frutos e a escravidão foi sendo minada, a classe dominante passou a tentar influenciar o processo à sua maneira: relegou aos negros uma posição de extrema marginalidade para que se pudesse criar uma ideologia de exército de reserva que permitiria uma superexploração de todos os trabalhadores, negros ou não.

A apropriação daquilo que vem da classe dominada nunca é uma iniciativa espontânea da classe dominante. É sempre resultado de uma luta e, em alguma medida, da imposição da vontade dos setores oprimidos. Com a apropriação cultural não é diferente. É absurdo dizer que a burguesia tenta se apropriar de símbolos como os dreads ou o turbante. Antes, ela é obrigada a tal para se manter no controle das coisas. Sua intenção inicial não é de apropriação, mas de supressão desses símbolos. Ela só se apropria quando, se não o fizesse, teria prejuízos maiores. É a luta dos negros que a empurra a isso. Os diversos símbolos culturais sempre ajudaram na identificação dos oprimidos entre si e na organização para a luta. A roda de capoeira, o RAP, os dreads e as vestimentas do Candomblé, por exemplo, podem cumprir esse papel de formar bases para uma resistência contra a dominação[4], inclusive a dominação de classe. E só por isso a burguesia de apropria desses elementos: para minar a força de organização de certo setor muito importante da classe trabalhadora brasileira.

Mas essa apropriação é malsucedida, como coloca o texto em questão? Não. Daí vem a incompreensão da relação entre ideologia e circulação de mercadorias. A burguesia não necessariamente vende apenas para si mesma, mas pelo contrário: não sobrevive se não for a classe trabalhadora massivamente que compre seus produtos. Ela não vende e lucra apenas com aquilo que a ideologia dominante considera bom. O fato de o turbante ser relacionado com algo demoníaco e os dreads serem alvo de preconceito não são, nem podem ser, provas de que a apropriação “falhou”. Novamente, o sucesso ou falha da apropriação cultural não é algo que se pode analisar em si, mas somente dentro da totalidade social e da luta de classes.

Nessa perspectiva, precisamos nos perguntar: qual o papel dessa apropriação na luta de classes? Esse papel está sendo alcançado ou não?

A apropriação cultural, como vimos, é uma estratégia de defesa dos interesses da classe dominante. Sua intenção é se proteger contra a identificação, organização e luta dos negros. Portanto, o sucesso dessa estratégia pode se medir a partir de quanto conseguem tirar dos diversos elementos sua característica de distinção cultural do povo negro. Mas isso não significa necessariamente tirar desses diversos elementos juízos que serão usados para propagar o racismo velado. O que quero dizer com isso? A venda de dreads ou de turbantes (ou da capoeira, ou do RAP, ou do Funk, etc, etc) como produtos que têm apenas um valor comercial abstrato e que não têm uma história, um significado, que não se identificam com um povo ou com uma cultura determinada – essa venda é o fundamental para que se configure uma apropriação cultural bem sucedida. Isso não significa que as pessoas vão desvincular os dreads dos diversos juízos negativos. E isso configura, em minha opinião, o caráter mais perverso de tal apropriação: vendem-se tais produtos para as mesmas pessoas que já o usavam antes, para os negros, mas tiram deles seu caráter de identificação cultural e de resistência, mantendo seus estigmas. O RAP e o Funk continuam sendo vendidos majoritariamente para a juventude negra e periférica, e continuam sendo consideradas “música de bandido” ou “música ruim”, mas agora têm suas letras controladas rigorosamente por um mercado cultural comandado por brancos. A capoeira continua sendo vista como “malandragem”[5] e os dreads continuam sendo considerados “sujos”, mas agora não identificam mais a cultura negra, mas são “patrimônio de todos” em um lugar onde supostamente não existem diferenças raciais por conta da miscigenação. Mantêm-se os juízos negativos racistas, retira-se o caráter de resistência. Eis o verdadeiro sucesso da apropriação cultural dos símbolos negros.

Os movimentos pós-modernos

Com tudo o que foi colocado, onde estariam, então, os erros dos movimentos pós-modernos que falam da questão da apropriação cultural? Da mesma forma como critiquei o texto supostamente marxista, as leituras pós-modernas fragmentam a realidade social e tomam a análise dos fragmentos em si, ignorando suas relações essenciais com a totalidade social. A apropriação cultural, tirada do pano de fundo de defesa dos interesses da classe dominante, não pode ser vista senão como uma ação perversa de responsabilidade de alguns indivíduos brancos que, por usarem símbolos culturais negros, estariam enfraquecendo seu conteúdo cultural. Essa análise fragmentária, ao atribuir ao indivíduo o conceito de apropriação cultural, na verdade esvazia esse conceito de seu conteúdo social real: tira da essência do racismo a luta de classes e, por isso, essencializa no indivíduo branco a origem do enfraquecimento da cultura negra. Essa análise ganha credibilidade por fatores muito importantes: empiricamente, são principalmente os indivíduos brancos que encarnam e reproduzem as estratégias racistas de interesse da classe dominante, assim como é por indivíduos brancos que essa classe dominante é formada. Mas, para se compreender o conteúdo concreto da apropriação cultural e do racismo não se pode permanecer no nível empírico apenas: é necessário que se ultrapasse a aparência dada e se encontre a essência desses conceitos no todo social, o que as teorias pós-modernas não fazem.

Assim, combate-se uma certa apropriação cultural como se se combatesse um fantasma; o sucesso dessa luta se revelaria um fracasso: os símbolos negros não se fortaleceriam, e nem estariam menos apropriados por uma dominação branca se os indivíduos brancos parassem de usá-los. Um branco usar dreads ou turbante, praticar capoeira ou participar de religiões de matriz africana – nada disso é, em si, essa apropriação cultural de que estamos falando. A apropriação cultural perversa, que tira a identidade do povo negro e enfraquece sua luta, tem sua origem na indústria que vende tais elementos como produtos, esta sim com o poder de tirar deles sua significação cultural. O uso desses produtos está, no sistema em que vivemos, submetido a essa indústria e às diversas ideologias ligadas a ela.

Dessa forma, devemos defender as opções individuais de todas as pessoas[6] de se vestirem da forma como quiserem, e ao mesmo tempo, e algumas vezes inclusive contraditoriamente, combater a indústria que em todo momento incide e molda à sua maneira tais vontades individuais. Esse combate se dá pela reafirmação desses elementos culturais como elementos de resistência dos negros contra a dominação que lhes é imposta. Assim como tanto o racismo quanto a apropriação cultural estão, em sua essência, ligados à estrutura de classes, não se pode combatê-los sem que se intervenha na luta de classes de forma geral. É importante que, dentro dessa luta, os trabalhadores brancos se conscientizem do que significam esses símbolos, de sua história e de sua força organizativa e política para nós, seus companheiros negros, e que essa consciência trazida pela nossa luta, e não a indústria capitalista, determine a forma como cada indivíduo se relacionará com tais símbolos.

Por último, ainda que devamos combater essa apropriação cultural da forma como se dá na sociedade hoje, movida por um interesse de lucro e de manutenção de uma ordem dominadora, exploradora e racista, não podemos transformar isso em uma bandeira contra o contato e troca cultural. Como já foi dito, não é do indivíduo branco e nem simplesmente de uma diferença abstrata entre brancos e negros que vem o racismo. O racismo não é essencial à humanidade e nem essencial ao contato entre diferentes culturas. O racismo é algo que pode se combater e se derrotar historicamente. Em uma sociedade em que for abolida a dominação de classe e em que os juízos e práticas racistas tiverem se tornado passado, não há nenhuma razão para que trabalhadores de diferentes culturas não se beneficiem da troca de conhecimentos, tradições e símbolos uns dos outros. Eis um ponto em que o texto de que falamos está certo em sua intenção – socializar e universalizar toda a cultura já produzida pela humanidade. Porém, como já mostramos, sem tomar concretamente as especificidades de como o capitalismo trata as diferentes culturas dentro da totalidade da luta de classes, não se pode armar a luta dos povos oprimidos para chegar a essa situação de igualdade e socialização.

Apêndice 1 – uma pequena contradição

Em grande parte, quando o companheiro da Juventude Marxista fala sobre o RAP, ele faz análises corretas, que não caem nos mesmos erros que a linha principal do texto vinha seguindo. Isso acontece porque ele usa pontos de vista diferentes e analisa aspectos diferentes quando fala, por um lado, dos dreads e dos turbantes e, por outro, do RAP. No primeiro caso, ele analisa a apropriação enquanto uso dos símbolos negros por indivíduos brancos, e o faz a partir de um ponto de vista estético. Não pensa nem a inserção social do turbante e do dread, e nem considera seu aspecto de símbolos culturais e políticos. Quando fala sobre o RAP, faz o oposto. Considera esse estilo em seu caráter político de resistência e não estético, e define a apropriação cultural como algo intrínseco da indústria e não do indivíduo. Isso faz com que a análise sobre o RAP pareça em grande parte correta, porém é falha na medida em que não admite a contradição, exposta acima, de o RAP ter diferentes avaliações conforme feito por um artista branco ou negro. Essa contrariedade de pontos de vista parciais não permite com que se analisem os diversos elementos culturais em sua complexidade e em suas diversas relações com o todo social.

Apêndice 2 – sobre o eurocentrismo do marxismo

Por último, sobre a questão de o marxismo ser europeu e não ter validade aqui, obviamente discordo dessa ideia da forma mecânica como é colocada por setores da pós-modernidade, mas acho que o companheiro da Juventude Marxista a contrapôs de forma não marxista porque dogmática. O método da crítica marxista tem sua força principalmente por se aplicar sobre si mesmo. A teoria sempre se constrói dentro de uma prática social concreta e a partir dela. Dentro do marxismo, não se pode manter uma mesma análise quando mudam as situações. Cada novo elemento faz com que seja necessária uma nova compreensão do todo social. A realidade com que lidamos hoje no Brasil, apesar de ter ainda os mesmos elementos fundamentais analisados por Marx (luta de classes, necessidade da revolução, etc), tem diversas diferenças e precisa ser analisada nessas diferenças. Por exemplo, o conceito de apropriação cultural talvez não fosse claramente relevante na análise da luta de classes para a classe trabalhadora européia no meio do século XIX. Porém, como já vimos anteriormente, é bastante relevante na análise da luta de classes no Brasil hoje.

Sobre a pertinência do marxismo, termino com um pequeno diálogo que tive uma vez. A pessoa me disse:
“O marxismo é uma teoria européia que corresponde àquele povo e não a nossa realidade.”
Respondi:
“Análise bastante marxista a sua.”

 

[1] Aqui poderia se explicar melhor como o capitalismo fomenta o racismo e o usa para se manter e para garantir os interesses da classe dominante, mas há diversos textos que podem tratar do assunto de forma mais profunda do que seria o caso aqui.

[2] Importante lembrar, apesar de não ser o tema da discussão aqui, que esse é majoritariamente um setor branco.

[3] Ainda que algumas dessas mulheres fossem oriundas dessa classe.

[4] Aqui é interessante pensar na discussão sobre como a simples auto-identificação como negro é um símbolo que pode organizar resistência, e por isso surge a ideologia da miscigenação, de que os negros de pele clara não são negros, mas morenos, pardos, etc.

[5] É importante lembrar que a capoeira, particularmente, é um elemento cultural negro que se deslocou quase completamente dos espaços negros para academias predominantemente brancas.

[6] Isso vale centralmente para as mulheres, que sofrem uma opressão muito específica relacionada com as roupas que vestem.

 

 

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