Cultura racismo

André Sturm e o racismo institucional de sempre

Por Douglas Belchior

 

Replico abaixo, um grito de desespero do irmão e artista popular Aloysio Letra que, em nome da luta pela cultura popular em São Paulo, entrega sua vida e é afrontado com a postura arrogante e incompreensiva daqueles que detém o poder. Sua voz representa um seguimento que tem sido alvo do ataque conservador da gestão do Prefeito Dória em São Paulo. E não por acaso, afinal, daí surgiram parte das principais lutas por direitos nos últimos anos em São Paulo. Leia e compartilhe. É importante.

 

Aloysio Letra, artista popular, vitima de racismo em atividade com Secretario de Cultura, em SP

 

 

Por ALOYSIO LETRA

 

Oprê !

 

Sou NEGRO, moro em Guaianases e não tenho relação com partidos políticos! Estou frisando isso porque faz parte de todo um contexto do que vem acontecendo comigo e daí já vou dizendo: Não sou do PT ! Nem vem com essa !

 

Já não bastassem todas as arbitrariedades criminosas dessa prefeitura, ontem, 21 de Março, dia Mundial de Luta contra o racismo, eu sofri discriminação e fui praticamente expulso de uma reunião pública.

Os responsáveis pelo crime: André Sturm, secretário de “cultura” municipal e sua assessora Lara.

 

Neste dia 21 de Março, aproximadamente às 17h teríamos uma reunião do Fomento a Dança, um dos fomentos ameaçados pela gestão Dória/Sturm. Subi quieto e pacificamente a Galeria Olido para uma reunião com a comissão da dança na Secretaria Municipal de Cultura. Eu tinha o consentimento total dxs presentes, acompanhava o Fórum de Artes Negras e Periféricas pois sou membro orgânico do Movimento Cultural das Periferias (organização que tem em conta a importância de discutir a questão étnico-racial). Eu substituía na reunião a presença de Douglas Issus do grupo Fragmento Urbano, grupo aqui de Guaianases e que pesquisa a cultura NEGRA.

 

André Sturm se recusou a iniciar a reunião caso eu não saísse da sala. Ele não disse isso aos presentes. Usou a Assessora, Lara, que disse que a princípio que só estariam pessoas que estavam na lista enviada ao gabinete previamente, mas que abriria exceção para Solange que representaria outra organização da dança. Solange, que é testemunha do que fizeram comigo, é uma pessoa branca (ou não-negra). DETALHE: A princípio Solange poderia ficar e eu teria de sair sem maiores justificativas, mesmo Solange também não estando na referida lista. Solange inclusive dado todo incomodo na sala, queria sair pra eu substitui-la. Não aceitei. Eu tinha direito legitimo de estar na reunião e sabia que não estava numa manifestação de rua. Enfim, sou adulto há tempos…

 

Todxs presentes, cerca de 10 pessoas solicitaram a Lara que informasse o Secretário Sturm que eu estava lá para reunião substituindo legitimamente uma pessoa e representando coletividades da periferia. Disseram que gostariam que eu participasse da reunião e que ela informasse André Sturm. Lara levou o pedido ao gabinete e André Sturm foi irredutível. Se eu não saísse não haveria reunião !

 

Resolvi pela saída e relatei que aquilo era fruto de uma perseguição política, pois no fim de semana eu estava em manifestações pelo DESCONGELAMENTO, atos que ocorreram na Casa de Cultura de Guaianases e Itaim Paulista no dia 18/03. Falei que isso não era justificativa para me retirar da sala, mas que não queria prejudicar a reunião e sairia. Afirmei que Lara, como assessora de Sturm, foi co-autora de discriminação. Ao meu ver ação criminosa.

 

Ao sair da sala percebi que André Sturm e seus assessores pediram 2 seguranças para blindar a sala da reunião. Voltei e relatei a todxs que estavam na reunião que chamaram seguranças para restringir o acesso a sala e para me constranger. Depois de sair de novo ao corredor Lara me disse “Você não vai chamar o elevador?”. Ignorei-a e fiquei no corredor.

 

Fiquei das 17h30 às 19h30 do lado de fora enquanto cerca de 5 seguranças se revezavam fechando o acesso ao corredor inclusive proibindo o acesso aos banheiros para todxs demais ocupantes do andar. Perguntei se aquele era o procedimento comum e muitxs seguranças estranharam e não sabiam o porquê daquele pedido. Não era comum este procedimento e o revesamente de seguranças foi usado para eles também não saberem o motivo da presença deles por lá. Alias, pra mim deve ser ilegal isso já que era uma pauta pública e como já disse eu estava lá com o consentimento da comissão.

 

Companheirxs do grupo Treme Terra e da Cia Sansacroma são testemunhas dos fatos aqui relatados e fizeram falas na reunião sobre o que ocorreu comigo. Vocês podem testemunhar neste vídeo: http://bit.ly/2mQeG4l (No tempo de 1.16 há na reunião discussão sobre minha retirada da reunião. Sturm não assume o erro ou a discriminação. Ouçam com fones de ouvidos. O áudio está ruim).

 

Não é um fato isolado essa perseguição. Dia 14/03 no encontro “Secretaria Escuta” do Cinema de Baixo Orçamento, André Sturm se recusou a responder apenas uma pergunta dirigida a Secretaria de Cultura. A pergunta que se recusou a responder foi “Qual a visão da Secretaria sobre medidas afirmativas nos programas de cultura e na SPcine ?” Quem fez a pergunta fui eu e ele não respondeu apenas a MINHA pergunta. Ele não quer tratar sobre as desigualdades territoriais, raciais e de gênero. Fica evidente. Há testemunhas nesse dia também, companheirxs da A.P.A.N como Renato Candido e Thais Scabio.

 

Também não é um caso isolado em relação a outrxs indígenas, negros e periféricos da cidade. Infelizmente tenho que relatar aqui que nas quebradas várias pessoas, principalmente mulheres, estão passando por chantagens, perseguições, complôs, assédios morais e além disso o próprio André Sturm pelo facebook vem ofendendo diversas pessoas. Não posso citar nomes aqui para não expor as pessoas, mas há casos diversos que testemunhei na ZL e ZS.

 

É coronelismo puro gente ! Precisamos da solidariedade de vocês ! Compartilhem esse relato por favor !

 

Quero a ajuda de advogadxs NEGRXS que se disponham a me orientar de como proceder.

 

Racismo institucional e discriminação é crime!

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