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A desorganização da educação em São Paulo

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Por Vanessa Gravino

Nos últimos dias fervilharam informações, reportagens, questionamentos e manifestações sobre a proposta de “reorganização das escolas” realizada pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP).

Segundo os representantes do governo tucano a ideia é que cada escola estadual concentre apenas um “ciclo” do processo educacional: Ensino Fundamental I (1º ao 5º ano), (ou) Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) ou Ensino Médio (1º ao 3º ano).

Esta medida, que parece positiva ao primeiro olhar, carrega muitos problemas. De cara, a ação movimentará cerca de 1 milhão de crianças e jovens que deverão pedir sua “transferência forçada” para uma nova unidade escolar, muitas vezes longe de casa.

Além de retirar essas crianças e jovens de sua comunidade, a ação do PSDB não considera o fato de que milhares de crianças se locomovem sozinhas para as escolas, já que a maioria dos pais, trabalhadores assalariados, trabalham o dia todo. Transferir as crianças para longe de suas casas é um completo desrespeito às condições já precárias de vida da maior parte da população de São Paulo.

O governo Alckmin/PSDB, que nesses mais de 20 anos de poder já deu mostras de sua intenção em sucatear cada vez mais a educação pública do Estado, também fechará escolas e removerá milhares de professoras e professores.

Profissionais da educação, comunidades escolares e professores, desvalorizados e descredibilizados, sequer foram ouvidos em relação às mudanças educacionais propostas. Este formato impositivo, que ignora a realidade e a situação de vulnerabilidade da maioria das comunidades escolares do Estado demonstra o quão descompromissado é este governo com a qualidade da Educação Pública.

O principal motivo dessa iniciativa por parte do governo Alckmin é o ajuste fiscal, que assim como no âmbito federal, diminuiu recursos para áreas fundamentais, inclusive para a Educação. O orçamento 2015 destinou 13, 89% do total para a pasta da educação, contra 14,29% em 2014.

 

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A possibilidade de municipalização do Ensino Fundamental, o fechamento de escolas, a “demissão” de muitas professoras e professores, a superlotação das salas de aula e, mais uma vez, o acirramento do sucateamento da escola pública, vêm mascarados em mais uma política criminosa do governo do PSDB.

Muitas movimentações de resistência de comunidades escolares que se colocam contra o fechamento das escolas, contra as mudanças apresentadas pela SEE, ocorreram nos últimos dias por todo estado.

A APEOESP, sindicato de professoras e professores do estado de SP, está se mobilizando junto dessas comunidades para barrar as ações apresentadas pelo governo. Dia 20 de outubro, 15h, haverá um grande ato na Praça da República, no centro. É muito importante a participação de todas e todos para o combate a desorganização educacional apresentada pelo governo do PSDB em São Paulo.

* Vanessa Gravino é professora da rede estadual e ligada à Apeoesp de Cotia

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