Destaque Violência Policial

Alckmin e Haddad são responsáveis pela violência policial nas manifestações do MPL

Por Douglas Belchior, com fotos dos Jornalistas Livres

A violência e a negação do direito constitucional de manifestação tem sido a maneira pela qual o estado e a prefeitura de SP tem respondido às manifestações convocadas pelo MPL. A presença desproporcional da polícia nas mobilizações, seu vasto armamento, sua conduta e procedimentos, suas táticas de intimidação e cercamento e o tradicional “uso desproporcional da força” são, no limite, práticas autorizadas e legitimadas pelos governantes.

Os massacres com data e hora marcada, como o do último dia 12/01 na av. Paulista e o desta quinta, 21/01, na Praça da República, deturpados e invisibilizados pelos grandes meios de comunicação, mas devidamente registrados pelas redes de comunicação alternativas, caracterizam agressão à população e à própria ideia – insustentável – de democracia. São, sem nenhuma dúvida, violações de direitos humanos sob a responsabilidade direta do governador Geraldo Alckmin (PSDB), o comandante em chefe das armas do Estado. Mas também do prefeito Fernando Haddad (PT). E quero dizer o porquê.

Se quiser se diferenciar, Haddad que cancele o aumento e diga que não admite a barbárie nas ruas de sua cidade. Até lá, na repressão aos protestos contra o aumento, a PM age tbm em seu nome!

Antes ainda, um registro: por mais que se possa discutir e até discordar da forma ou das táticas utilizadas pelo MPL em suas mobilizações – e eu, particularmente não discordo – sua causa é nobre. Estão corretos, a meu ver, não que isso importe, no mérito da questão relacionada ao direito à cidade e a crítica em relação a situação do transporte público. São, portanto, legítimos.

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Foto: Jornalistas Livres

 

 

 

 

 

 

 

Existe um “tema gerador” dos debates e da mobilização contra o aumento das tarifas (quem gosta de Paulo Freire sabe bem a importância e o significado dos temas geradores). E nesse caso, qual é o tema gerador?

O aumento do valor das tarifas, claro!

Tudo o que decorre a partir daí é sim de responsabilidade (também ou principalmente) daqueles que deram vida ao tema gerador. E quem são?

A medida em que o governador do estado de São Paulo e o prefeito da capital impuseram o tema, este gerou debate e mobilização contrária. Para garantir a imposição de suas decisões, os governantes tem à seu serviço o poder das armas do estado.

Tem sido assim nas manifestações do MPL. É assim sempre.

Óbvio que o comando da PM está nas mãos de Alckmin e não de Haddad. Mas esse está a serviço daquele, pela manutenção da decisão política de ambos.

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Foto: Jornalistas Livres

 

Pouco importa, para quem inala gás lacrimogêneo, sente o cassetete ou é atingido pelos tiros, de quem é a palavra de ordem para o ataque ou a jurisdição à qual responde o batalhão policial. Importa que a violência acontece. E que esta está à serviço da imposição do tema gerador.

Digo isso por perceber a insatisfação de vários correligionários e apoiadores do prefeito diante da co-responsabilização pela violência na Paulista.

Óbvio que o comando da PM está nas mãos de Alckmin e não de Haddad. Mas, fato incontestável neste caso, é que esse está a serviço daquele, pela manutenção da decisão política de ambos. Na política relacionada ao transporte público, Alckmin e Haddad se igualam. Ambos fazem política para deleite e satisfação dos interesses dos empresários do setor. Não há como negar isso.

Que Alckmin e seu governo são fascistas e sua polícia genocida, não tem dúvida. Mas como explicar, pelo amor de Deus, a sintonia das ações entre esses dois governos que se dizem tão diferentes?

Incompreensível, do ponto de vista político, a decisão de Haddad em aumentar as tarifas. Pior: combinar o aumento com Alckmin; Pior ainda: não perceber o quanto se deixa desgastar muito mais que Alckmin em toda essa confusão, se não, vejamos:

Alckmin aumenta as tarifas do trem e do metrô, dois meios de transportes de massas; Haddad de um só, os ônibus municipais; A decisão de Alckmin tem impacto econômico muito maior, uma vez que ela irradia não só na capital, mas em toda a região metropolitana. E em dobro.

Mas onde está o nó, o drible, a finta, a caneta, a bola por debaixo das pernas que Alckmin enfia – repetindo 2013 – em Haddad?

O MPL, acertadamente, elege a capital da maior cidade da América Latina como palco de suas manifestações. A tática de paralisar o trânsito – mesmo sem querer – é, de longe, a de maior impacto numa cidade que depende de carros e rodovias para existir. E em rodovias não transitam trens ou metrôs, e sim ônibus.

Não se trata de lembrar de Haddad e poupar Alckmin, como gritam alguns. Tratam-se de condições objetivas de mobilização e sua efetividade. Isso somado ao controle absoluto dos grandes meios de comunicação e seu consistente bloqueio à imagem do picolé de chuchu, está completa a equação: Haddad se dá mal. Alckmin sai ileso.

E os prefeituráveis Russomano, João Doria Jr. e Marta e a direita histórica paulistana, agradecem.

Se quiser se diferenciar de Alckmin e do PSDB, Haddad que chame uma coletiva de imprensa, declare o cancelamento do aumento da tarifa dos ônibus e diga que não admite a barbárie promovida pela PM nas ruas de sua cidade.

Até lá, na repressão aos protestos contra o aumento, a PM age também em seu nome.

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